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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Princípios do Yoga – Introdução do Yamas & Niyamas



Yoga é um sistema sofisticado que vai muito além das posturas. Literalmente pode ser considerado um estilo de vida criado para trazer consciência ao corpo e igualmente ao pensamento. Os seus ensinamentos são em forma de uma metodologia em que passo-a-passo se revela o entendimento de nossas experiências na terra, direcionando-nos também para novas experiências. Yoga pode ser comparado com um detalhado mapa, dizendo onde nos encontramos e como chegar até a próxima descoberta. O método facilita obter o  controle da vida, assim como nos ajuda a direcioná-la até satisfação que nós procuramos.

O método completo consiste em 8 partes que são Yama, Niyama, Asana, Pranayama, Pratyahara, Dharana, Dhyana, Samadhi. Nesta publicação falaremos sobre a visão geral dos Yamas e Niyamas que são a base do pensamento yogui .

O Yama e Niyamas são ensinados como diretrizes, dogmas, disciplina, ética, preceitos ou restrições e observâncias. Eu muitas vezes penso nelas como relíquias, por serem raridades que nos dão direção para uma vida bela e alegre. Na filosofia yogui, essas relíquia são as primeiras das 8 partes do caminho da liberdade.

As primeiras relíquias são os Yamas, uma palavra que literalmente significa “restrições”que incluem em seu conceito não violentar (ahimsa), veracidade (satya), não roubar (asteya), não exceder (brahmacharya) e não-possesividade (aparigraha). As outras cinco relíquias são as Niyamas, ou “observâncias” e incluem pureza (saucha), contentamento (santosha), disciplina (tapas), estudo(svadhayava) e rendição (ishvara pranidhana). Muitas destas referências de conduta ética talvez nos façam sentir sobrecarregados de conceitos, ou fechados em um sela de regras . Yoga não nos limita de viver a vida, mas pelo contrário, ela nós abre para uma vida completa e navegando de uma para outra de forma prática e fácil de se compreender.

Yamas

Não violência (ahimsa), a primeira relíquia, posiciona-se como a fundamento para as outras diretrizes que irão aumentar o significado e renovar sua riqueza. Não-violência é uma postura de relacionamento correto com os outros e com nós mesmos que não é auto-sacrifício ou auto-engrandecimento.  Este princípio nos guia para juntos vivermos, dividir os bens e fazer o que queremos – sem causar dor aos outros ou a nós mesmos.

Veracidade (Satya), a segunda relíquia, é parceira da não-violência. O casamento destas cria uma poderosa dança entre as duas parecendo opostas. Nós podemos apreciar essa afirmação quando começamos a praticar dizendo a verdade sem prejudicar os outros. Como parceiros, a veracidade mantém a não-violência de se tornar covarde, enquanto não-violência mantém a veracidade de se tornar uma arma brutal. Quando dançam perfeitamente juntas cria-se uma espetacular visão. Sua união se revela como profundo amor em sua expressão mais completa. E quando há desarmonia ou confusão entre as duas, veracidade deixa espaço para a não-violência.

Não roubar (Asteya), a terceira relíquia, guia as nossas tentativas e tendências de olhar para o exterior para buscar satisfação. Muitas vezes, nossas insatisfações na vida nos lidera a um olhar fixo no mundo exterior, com a tendência de roubar o que não nós pertence. Nós roubamos da terra, do outros e até de nós mesmos. Nós roubamos da nossa própria oportunidade de crescer e nos tornar pessoas que têm o direito de ter a vida que realmente queremos.

Não exceder (Brahmacharya), a quarta relíquia, tem sido interpretada por muitos com o significado de celibato ou abstinência. Mesmo podendo ser interpretado com esse sentido, o seu significado literal é “andar com Deus”. Não importa a sua crença sobre Divindade, este princípio implica consciência sagrada em todas as ações e atenção em cada momento que nos move para uma postura de santidade. Se nós praticarmos não roubar, nós estaremos automaticamente preparado para a prática desta diretriz.

Não possesividade (Aparigraha), a quinta relíquia e última das diretrizes das Yamas , nos liberta da cobiça. Ela nos lembra que se agarrar a pessoas e objetos materiais somente nos coloca para baixo e torna nossas vidas pesadas e com experiências decepcionantes. Quando praticamos o desapego, movemos nossas vidas e experiências em direção à liberdade e satisfação na vida, o que é expansivo e puro.
Se nós vivermos as 5 primeiras relíquia de uma forma correta, nós começaremos a notar o tempo livre e um maior espaço para respirarmos em nossas vidas. Os dias começam a ser mais leves e fáceis de lidar, o trabalho mais prazeroso e nossos relacionamentos com os outros mais tranquilos. Nós gostamos de nós mesmos um pouco mais; os passos se tornam mais macios ao caminhar, compreendemos a necessidade de possuirmos menos comparado a tempos anteriores, os momentos de diversão são mais frequentes.

Niyamas

Agora começando os estudos básicos das cinco relíquia finais ou Niyama. Aqui nós entramos no mais sublime reino e lugar de descanso interior, como um domingo de descanso.

Pureza (Saucha), a sexta relíquia, é um convite a limpar nossos corpos, atitudes e ações. Nos pede para limpar nossas ações para que possamos estar mais disponíveis para as reais qualidades da vida que procuramos. Este preceito também nos convida a purificarmos como nos relacionamos com o que é mais supremo no momento. É também a qualidade de estar alinhado em nossos relacionamentos com os outros, com as atividades a nossa volta e com nos mesmos.
Contentamento (Santosha), a sétima relíquia, não pode ser vista, todas as coisas que nos trazem realização interferem na nossa própria satisfação e bem estar. Contentamento só será sentido ao aceitar e apreciar o presente. Quanto mais nós aprendermos a deixar o “O que é” sozinho, mais calmamente e firmemente o contentamento nós encontrará.
Disciplina (Tapas), a oitava relíquia, literalmente traduzida como purificação ou austeridade. É tudo que nos bloqueia a mudar. Mudança nos torna peso pesados espiritualmente no jogo da vida. É a preparação para nossa própria grandeza. Nós todos sabemos como é fácil ser uma pessoa de grande caráter quando tudo está correndo bem em nossas vidas, mas como nos mostramos quando a vida joga conosco com cartas escuras? Quem é você nesses momentos? Esta diretriz é um convite para a procura intencional de nosso caráter e ela nos pergunta “Eu confio no caminho para minhas mudanças?”.
Estudo (Svadhayava), a nona relíquia, é a busca pelo auto-conhecimento, estudar o que nos direciona e forma, porque estas coisas são literalmente a causa da vida que vivemos. Estudar nos põe a olhar para as histórias que nós contamos sobre nós mesmos e perceber que essas histórias criam realidade em nossas vidas. Enfim, este princípio nos convida a livrar e limitar a percepção que nosso ego impõe e conhecer a verdade sobre o nosso próprio ser divino.
Rendição (ishvara pranidhana), a décima relíquia, nos relembra que a vida sabe o que é melhor para nós. Através de devoção, confiança e compromisso ativo, nós podemos receber cada momento com o coração aberto. Ao invés de remar contra a correnteza, rendição é um convite para ir com a corrente, desfrutar do caminho e olhar a paisagem.
Na próximas publicações iremos mais a fundo em cada uma das relíquias.

Namastê

sábado, 17 de novembro de 2012

Utilizando a nutação para refinar Uttanasana, Parte III – Benefício Lateral


Este é o último, mas não o menos importante post sobre técnicas de aperfeiçoamento do Uttanasana que também podem ser utilizadas em outras posturas como o ou a (veja o que é melhor)Paschimottanasana .Na publicação Parte 2 (Link), falamos sobre o tensor fascia lata(TFL)   localizado no gluteus medius. Contraindo esses músculos  podemos ativar o movimento na articulação sacroilidiana, o que ajuda a proteger a lombar de uma hiperflexão.
Rotação Externa do fémur com gluteus medius
e tensor fascia lata.

Agora, quando executamos um foward bend(dobramento vertical) nos quadris, o gluteus maximus alonga-se fazendo com que a coxa (fémur) seja puxada possibilitando a rotação externa  movimentando levemente a rótula para fora. O ideal seria que a rótula apontasse para frente. Um benefício extra decorrente da ativação do tensor fascia lata (TFL) e do gluteus mediusé a rotação interna da coxa. O gluteus medius contribui nessa ação quando os quadris estão flexionados. Assim, neutraliza-se a força do alongamento do gluteus medius  trazendo a rotulá para a posição frontal que é a forma ideal da posição. Perceba que ao  fixar os pés no tapete gentilmente tentando separá-los  você sentirá as coxas se movimentando internamente.

Então, tente também ativar o TLF e o gluteus medius nas posições de dobramento frontal sentado. Por exemplo, na Upavistha Konasana, a dica para esta posição é (1)pressionar o calcanhar contra o chão e tentar (2)afastá-los um do outro. Você pode também pressionar as extremidades dos pés (região dos dedos) ou a parte inferior das pernas (região da canela) contra as mãos para ter um efeito similar. Sinta como esta técnica aprofunda e aprimora os dobramentos frontais.

Demostração Upavistha Konasana por Fernando Maluly Pacheco

Lembre-se de respeitar os seus limites quando realizar as posturas. Treine para ativar e soltar com leveza os músculos enquanto você dá forma a suas  posturas.

Obrigado por ler mais uma de nossas publicações. Nos veremos na próxima quando falaremos sobre utilização do abdômen para soltar os músculos da parte inferior das costa (lombar) no Uttanasana.
Dê uma olhada nos  livros da Bandha Yoga em português na página da Traço Editora para aprender mais a como combinar a ciência ocidental com a arte do yoga...

Namastê,

Ray and Chris

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Como usar os ombros para aprofundar o Uttanasana


Os deltóides são músculos na superfície dos ombros que produzem muitos dos movimentos nessa articulação. Eles são divididos em três partes – feixe anterior, porção média e feixe posterior – O feixe anterior origina-se da parte frontal da clavícula e da articulação acrômio e assim inserindo-se na parte de fora da cabeça do úmero. A principal função dos deltóides anteriores é a de erguer os braços na frente do corpo.


Uttanasana ilustrando o deltoides anteriores
 e contração do quadriceps para 
alongar cadeia cinética posterior.
Em Uttanasana, fixe as mãos no mat e tente arrastá-las para frente. Este movimento irá contrair os deltóides anteriores e projetar o corpo com profundade no asana. Se não alcançar o chão, apóie-se na parte inferior das pernas ou na parte posterior dos joelhos e tente empurrar as mãos para frente. Ativando os deltóides anteriores com as mãos fixadas assim conectando o esqueleto apendicular superior ( braços e clavícula) com o esqueleto apendicular inferior ( pernas e quadris) em uma dobra frontal, ativando-os de maneira a alongar a cadeia cinética e os tendões das pernas.

Ao mesmo tempo que você contrai o deltoides anteriores para trazer o tronco à frente, ative os coxas (quadríceps) para esticar os joelhos. A dica para ativar os quadríceps é a de levantar as rótulas em direção da pélvis. Além de esticar os joelhos, este movimento irá sinalizar para os tendões antagônicos para relaxarem no alongamento através da inibição recíproca. Para melhor entender este mecanismo fisiológico tente executar Uttanasana com e sem firmar as coxas. Perceba como a sensação de alongamento muda  ativando os quadríceps.

Acima dos quadríceps, o reto femoral, origina-se da frente da pélvis e cruza as articulações do quadril. Quando ativamos os quadríceps para alongar os joelhos o reto femural adiciona a inclinação frontal da pélvis, levando a uma posição mais profunda.

O reto femural projetando 
a pélvis para frente.
Após aprender a utilizar os deltóides anteriores para aprofundar Uttanasana, tente esta técnica também em Paschimottanasana. Faça isso segurando a parte inferior das pernas para fixar as mãos e então tente levantá-las. Mais uma vez, isto ativa os deltóides anteriores e projeta o tronco em mais profunda flexão.

Sempre  avance devagar e gradualmente no yoga. Utilize o mínimo de contração para obter uma sensação de refinamento do asana. Se sentir desconforto ou dor, dobre os joelhos e cuidadosamente termine o asana e descanse. Sempre pratique sobre a orientação de um instrutor qualificado e certifique-se com seu médico que yoga não ira agravar nenhum problema de saúde.

Fique atento para o próximo post, quando iremos escrever sobre como usar o tensor fáscia lata e os músculos do glúteo médio para aperfeiçoar a Uttanasana. Também, olhe os livros do bandha yoga em português para aprender mais (Traço Editora).

Namasté
Ray and Chris